Bullying

O que é o bullying?

O bullying ocorre quando uma criança ou jovem, ou um grupo deles, magoa ou humilha outro, de forma repetida.

Para ser considerado bullying, o comportamento tem de incluir:

    • Um desequilíbrio de poder: jovens que fazem bullying usam o seu poder - com a força física, o acesso a informação embaraçosa, ou popularidade - para controlar ou atingir outros.
    • Repetição: os comportamentos de bullying acontecem mais do que uma vez, ou têm o potencial para acontecer mais do que uma vez.

O bullying é diferente de brincar/gozar ou de conflito entre pares.

Que formas de bullying existem?

    • Bullying físico - usando a força física para magoar outro jovem, ao bater, empurrar, pontapear ou roubar os seus pertences.
    • Bullying verbal - usando palavras ou gestos para humilhar outro jovem, ao ameaçar, intimidar, insultar, usar sarcasmo, pintar graffities ou ridicularizar.
    • Bullying Relacional - isolando outro jovem do mesmo grupo de colegas ao deixá-lo de parte, contar "mexericos", espalhar rumores, ou usá-lo como bode expiatório.
    • Cyberbullying - usando os telemóveis, emails, chats e social media para fazer bullying a outro jovem.

Os papéis do bullying

Bullies

Quem começa ou participa no bullying. Muitas vezes, precisam de ajuda para alterar a sua atitude.

O desempenho regular deste papel, tende a levar a absentismo escolar, abuso de drogas, violência no namoro e abuso sexual.

Alvos

Jovens a quem o bullying é direcionado. Podem precisar de ajuda a aprender como responder.

Ao ficar presos neste papel, podem ter danos físicos, depressão, ansiedade, transtornos alimentares, vergonha extrema e tendências suicidas.

Apoiantes do Bully

Não são quem faz o bullying em concreto, mas apoiam o bully, dando-lhe uma audiência, a rir-se e concordar com ele.

Ao adquirem este papel como regular, pode levar a absentismo escolar, abuso de drogas, depressão e ansiedade.


Observadores

Não participam no bullying, mas servem como uma assistência passiva. Eles permitem que o bullying continue.

Ao manterem este papel regularmente, pode levar a absentismo escolar, abuso de drogas, depressão e ansiedade.

Líderes

Dão apoio ao alvo e podem defendê-lo do bullying, de várias formas.

Ao contrário dos restantes, esta atitude pode levar a maior auto-confiança, melhor aprendizagem e melhores competências sociais.

Factos sobre o bullying

    • Cada ano, aproximadamente, um terço dos adolescentes a nível mundial sofre de bullying [1].
    • A maior parte do bullying acontece entre os 2º e 3º ciclos do ensino básico. Os tipos mais comuns são o bullying verbal e social.
    • Há uma crescente consciencialização do problema do bullying, o que pode levar alguns a acreditar que o bullying está a aumentar. No entanto, estudos sugerem que as taxas de bullying podem estar a diminuir. Ainda continua a ser um problema prevalente e sério nas escolas de hoje.
    • Fenómeno de grupo [2]: O bullying não é geralmente uma simples interação entre um estudante bully e um aluno que é intimidado. Pelo contrário, geralmente envolve grupos de alunos que se apoiam mutuamente de modo a intimidar outros alunos.
    • Desconexão entre adultos e jovens [3]: Muitas vezes existe uma falta de associação entre as experiências de bullying dos jovens e a perceção dos adultos. Adicionalmente, os adultos tendem a não saber como agir mesmo reconhecendo situações de bullying.

Consequências do bullying

O bullying origina frequentemente problemas psicológicos e mentais duradouros, marginalizam diversos estudantes e resultam num impacto negativo para toda a cultura escolar.

    • Bullying e suicídio: A relação entre o bullying e o suicídio é complexa. Vários relatos dos média simplificam em demasia essa relação, insinuando ou afirmando diretamente que o bullying pode causar suicídio. É potencialmente perigoso apresentar o bullying como a “causa” ou “razão” de um suicídio, ou sugerir que o suicídio é uma resposta natural ao bullying. Conclusões de estudos acerca da relação do bullying e do suicídio:
        • O bullying persistente pode levar ou piorar sentimentos de isolamento, rejeição, exclusão e desespero, bem como depressão e ansiedade, que podem contribuir para o comportamento suicida.
        • A grande maioria dos jovens que sofrem bullying não se torna suicida.
        • A maioria dos jovens que morrem por suicídio tem múltiplos fatores de risco.
        • Alguns jovens, como jovens LGBT, correm um risco maior de tentativas de suicídio, mesmo quando o bullying não é um fator.
        • Mais informações: CDC publication - PDF.
        • Leia mais acerca do possível dano de associar o bullying ao suicídio no que evitar ( what to avoid.)

Como prevenir o Bullying

As abordagens de prevenção do bullying que mostram a maior promessa envolvem toda a comunidade escolar - alunos, famílias, administradores, professores e funcionários, etc. - na criação de uma cultura de respeito.

Pais, funcionários e outros adultos preocupados têm um papel a desempenhar na prevenção do bullying. Eles podem:

  • Manter as linhas de comunicação abertas. Verificar as crianças com frequência. Escutá-las. Conhecer os seus amigos, perguntar sobre a escola e entender as suas preocupações.
  • Incentivar as crianças a fazer o que amam. Atividades especiais, interesses e hobbies podem aumentar a confiança, ajudar as crianças a fazer amigos e protegê-los do comportamento de intimidação.
  • Ensinar como tratar os outros com bondade e respeito.


Ajudar os jovens a entender o Bullying:

Os jovens que sabem o que é o bullying podem identificá-lo melhor. Eles podem falar sobre o bullying caso isso acontecer a eles ou aos outros. Os jovens precisam de conhecer formas de resistir com segurança ao bullying e como obter ajuda.

  • Incentive os jovens a falar com um adulto de confiança se sofrerem de bullying ou se conhecerem alguém que sofra. O adulto pode dar conforto, apoio e aconselhamento, mesmo que não consiga resolver o problema diretamente. Incentive os jovens a denunciar o bullying, se isso acontecer.
  • Fale sobre como enfrentar os jovens que os intimidam. Dê dicas, como usar humor e dizer “para” diretamente e com confiança. Fale sobre o que fazer se essas ações não funcionarem, como ir embora.
  • Fale sobre estratégias para se manter seguro, como ficar perto de adultos ou grupos de outros jovens.
  • Incentive-os a ajudar os colegas que são vítimas de bullying mostrando bondade ou recebendo ajuda.

Como enfrentar o Bullying

Pare com o bullying no local

Quando os adultos respondem de forma rápida e consistente ao comportamento de intimidação, enviam a mensagem de que não é aceitável. Pesquisas mostram que isso pode impedir o comportamento de bullying ao longo do tempo. Há passos simples que os adultos podem tomar para parar o bullying no local e manter os jovens seguros.

O que fazer:

  • Intervir imediatamente. Não há problema se o fizer com ajuda de outro adulto;
  • Separe os jovens envolvidos;
  • Certifique-se de que todos estão seguros;
  • Atenda a quaisquer necessidades médicas ou mentais imediatas;
  • Fique calmo. Tranquilize os jovens envolvidos, incluindo espectadores;
  • Mostre um comportamento respeitoso quando intervir.

Evite estes erros comuns:

  • Não ignore. Não pense que os jovens podem ultrapassá-lo sem a ajuda de um adulto;
  • Não tente imediatamente perceber os factos;
  • Não force os outros jovens a dizer publicamente o que viram;
  • Não questione os jovens envolvidas à frente de outras crianças;
  • Não fale com os jovens envolvidas juntas, apenas separadamente;
  • Não obrigue os jovens envolvidas a pedir desculpa ou reparar relações no local.

Obtenha ajuda da polícia ou médica imediatamente se:

  • Uma arma está envolvida;
  • Existem ameaças de ferimentos graves;
  • Há ameaças de violência motivada pelo ódio, como racismo ou homofobia;
  • Há sérios danos corporais;
  • Existe abuso sexual.;
  • Qualquer um é acusado de um ato ilegal, como roubo ou suborno - usando a força para obter dinheiro, propriedades ou serviços.

Fatores de risco

Crianças e jovens em maior risco de sofrerem de bullying:

Um único fator coloca um jovem em risco de ser intimidada ou de intimidar os outros. Dependendo do ambiente, alguns grupos podem correr um risco maior de serem vítimas de bullying. Geralmente, apresentam pelo menos um destes fatores de risco:

  • São considerados diferentes dos seus pares, podendo estar acima ou abaixo do peso da maioria, usar óculos ou roupas diferentes, ser novo numa escola, apresentarem-se ou serem tidos como LGBT, terem uma deficiência visível ou não serem do mesmo nível socio-económico;
  • São tidos como fracos ou incapazes de se defender;
  • Estão deprimidos, ansiosos ou têm baixa auto-estima;
  • São menos populares que os outros e têm poucos amigos;
  • Não se dão bem com os outros, são vistos como irritantes ou provocadores, ou antagonizam outros visando atenção.

No entanto, mesmo um jovens que possua tais fatores não quer dizer que seja vítima de bullying.

Sinais de aviso:

Existem muitos sinais de aviso que podem indicar que alguém é afetado por bullying - seja intimidado ou intimidando os outros. Reconhecer os sinais de alerta é um primeiro passo importante para agir contra o bullying. Nem todas os jovens que sofrem de bullying ou são bullies pedem ajuda.

É importante conversar com os jovens que mostram sinais de serem intimidadas ou de intimidar outras pessoas. Esses sinais de alerta também podem apontar para outros problemas, como a depressão ou abuso de substâncias. Conversar com a criança pode ajudar a identificar a raiz do problema.

Procure por mudanças no jovem. Entretanto, esteja ciente de que nem todas as crianças que sofrem bullying exibem sinais de alerta. Alguns sinais que podem apontar para um problema de bullying são:

  • Lesões inexplicáveis;
  • Roupas, livros, aparelhos eletrónicos ou outros bens perdidos ou destruídos;
  • Dores de cabeça frequentes ou dores de estômago, sentir-se doente ou fingir doença;
  • Mudanças nos hábitos alimentares, como de repente saltar refeições ou alimentação excessiva. Os jovens podem voltar para casa com fome porque não almoçaram;
  • Dificuldade em dormir ou pesadelos frequentes;
  • Notas mais baixas, perda de interesse no trabalho escolar ou não querer ir à escola;
  • Perda súbita de amigos ou evitar convívios sociais;
  • Sentimentos de desamparo ou diminuição da auto estima;
  • Comportamentos autodestrutivos, como fugir de casa, ferir-se ou falar de suicídio.

Se conhece alguém em sofrimento ou perigo, não ignore o problema. Obtenha ajuda de imediato!


Jovens mais prováveis de praticar Bullying

Há dois tipos de jovens com maior probabilidade de fazer bullying a outros:

  • Têm boas relações com os seus pares, têm poder social, estão excessivamente preocupados com sua popularidade e gostam de dominar ou de se responsabilizar pelos outros;
  • São mais isolados dos seus pares e podem estar deprimidos ou ansiosos, ter baixa auto-estima, ser menos envolvidos na escola, ser facilmente pressionados pelos colegas ou não se identificarem com as emoções ou sentimentos dos outros.

Sinais de alerta:

  • São agressivos ou facilmente frustrados;
  • Têm menos envolvimento dos pais ou têm problemas em casa;
  • Pensam mal dos outros;
  • Tem dificuldade em seguir regras;
  • Vêem a violência de uma forma positiva;
  • Têm amigos que intimidam outros.
  • Entram em lutas físicas ou verbais;
  • Têm amigos que intimidam os outros;
  • São cada vez mais agressivos;
  • São chamados à Direção ou postos de castigo com frequência;
  • Têm dinheiro extra inexplicável ou novos pertences;
  • Culpam os outros pelos seus problemas;
  • Não assumem a responsabilidade dos seus atos;
  • São competitivos e preocupam-se muito com sua reputação ou popularidade.

Aqueles que intimidam os outros não precisam ser mais fortes ou maiores do que aqueles que intimidam. O desequilíbrio de poder pode vir de várias fontes - popularidade, força, capacidade cognitiva - e os jovens que intimidam podem ter mais de uma destas características.